terça-feira, novembro 15, 2005
Entrevista com o psicólogo Luis César Ebraico
Quando Eros, deus do amor e Afrodite, deusa do amor, não dão certo em suas caminhadas, hajam deuses que desçam do Olimpo para contornar a situação. Talvez o que tenha faltado seja um outro tipo de diálogo proposto pelo psicólogo Luis César Ebraico. Em momentos de crises entre os casais uma palavra pode ter um efeito devastador e para propor uma mudança, Ebraico escreveu o livro "A Nova Conversa, O poder da palavra em sua vida". O texto de fácil compreensão mostra teorias baseadas em casos clínicos reais. Ao escrevê-lo, Ebraico corrige o equívoco no conceito de vários termos usados na psicanálise e prevê que a cultura do bem-estar é inevitável pela humanidade.
O autor acumula mais de 35 anos de atividade clínica. Além de trabalhos nas universidades cariocas, PUC e Santa Úrsula, é diretor desde 1973 do Instituto de Psicologia Clínica e membro fundador da Sociedade Brasileira de Loganalise (SBL) do Rio de Janeiro. Ebraico fará uma palestra no Rio de Janeiro dia 26 de novembro às 15hs, na sede da SBL-RJ Tel.:25236050. O tema será "Quando um casal se separa: Como lidar com isso". Faça uma lista de perguntas quando for assistí-lo porque este blog já antecipou algumas que você leitor verá a seguir.
FALADAS e ESCRITAS: - O senhor com este título faz os casais pressuporem casar e separar?
Luis César Ebraico: - Vou explicitar melhor qual é o foco da palestra em questão. Primeiro, pretendo abordar
essencialmente “parcerias de tipo amoroso”, não, por exemplo, de nível comercial, esportivo, político etc., onde, também existem “parcerias”; segundo, no que diz respeito às parcerias amorosas, não quero restringir essa abordagem ao casamento oficial e heterossexual. Namoros, noivados, casamentos, relações homossexuais ou heterossexuais, a dois ou a três, todas essas parcerias estão sujeitas a separações – veladas ou explícitas, parciais ou radicais – e, em todas essas “parcerias amorosas”, qualquer de separação produz, por si só, algum sofrimento, que, submetido a um mal manejo, se torna desnecessariamente maior.
FeE: - O que mais se vê hoje em dia? Mais pessoas casando ou separando?
LCEbraico: - Imagino que minha resposta anterior tenha deixado claro que, ao abordar separação de casais, não me estou referindo apenas a casamento, mas, sim, a “acasalamento”, onde, naturalmente, se inclui esse último. Sob esse ponto de vista, o mais relevante é o fato de que, o mais das vezes, o ser humano que se “desacasala”, de uma forma ou de outra, se acasala outra vez, talvez dentro de um “formato” que lhe serve mais. Mas é óbvio que, principalmente a partir da segunda metade do século XX, esses ciclos de “acasalamento-desacasalamento” se tornaram muito mais freqüentes.
FeE: - Sr. Luis qual (ou quais) os fatores para um casamento sólido?
LCEbraico: - O conceito de “sólido” é bem ambíguo. Vou entender como sinônimo de “duradouro”, mas, se o adjetivo “sólido” é ambíguo, o de “duradouro”, aplicado ao casamento, abarca possibilidades demais: com efeito, é evidente que, numa cultura como a islâmica, a duração de um casamento se estriba em fatores bem diversos daqueles em que se funda a duração de um casamento numa cultura de tipo anglo-saxão. É necessário, portanto, que se explicite a que “tipo de duração” nos estamos referindo para responder de maneira adequada a essa pergunta. De qualquer forma, se voltamos à idéia geral de “acasalamento” e se entendemos essa duração como sendo satisfatória para ambos, o que dizem as estatísticas –. e minha experiência clínica concorda com elas – é que dependem essencialmente de dois fatores: primeiro, atração romântico-sexual e, segundo, capacidade de comunicação.
FeE: - Pelo título e conteúdo, o seu livro sugere que os casais estão com um discurso desgastado ou muito velho. É necessário um novo diálogo entre os dois?
L.C.Ebraico: Aqui a resposta é um enfático “sim”. Os instrumentos devem adequar-se aos propósitos da tarefa. O que eu entendo como “acasamento satisfatório” implica uma ligação entre pessoas com direitos iguais, inclusive o de serem diferentes. Somente a partir do século XIX – e mesmo assim apenas no Ocidente – se começou a construir uma conversa compatível com esse tipo de ligação, mas essa construção ainda está em curso e meu livro pretende ser uma contribuição para a aceleração desse processo.
FeE: - A mulher hoje nos Estados Unidos ocupa mais os postos de trabalho que os homens. Aqui no Brasil, muitas estão indo à luta. O senhor entende que a independência financeira da mulher impede a "nova conversa"?
LCEbraico: Não impede, pelo contrário, exige.
FeE: - O machismo seria um dos entraves para um melhor diálogo entre casais?
LCEbraico: Existem a macro e a micropolítica. O “machismo”, na micropolítca, é o equivalente do que, na macro, são as ditaduras. E ditador “dita”, não dialoga; tem “súditos”, ou seja, “sub-ditos”, não tem “inter-locutores”.
FeE - O senhor afirmaria que separar-se não causa trauma psicológico nos filhos? Se causam, como minorá-los?
L.C.Ebraico: O que afirmo cansativa e repetidamente em meu livro é que “frustrações” são parte essencial e inevitável de uma vida sã, “traumas”, não. E saber empregar a Nova Conversa é a maneira de impedir que um processo de separação, em vez de frustrante, se torne traumático.
O autor acumula mais de 35 anos de atividade clínica. Além de trabalhos nas universidades cariocas, PUC e Santa Úrsula, é diretor desde 1973 do Instituto de Psicologia Clínica e membro fundador da Sociedade Brasileira de Loganalise (SBL) do Rio de Janeiro. Ebraico fará uma palestra no Rio de Janeiro dia 26 de novembro às 15hs, na sede da SBL-RJ Tel.:25236050. O tema será "Quando um casal se separa: Como lidar com isso". Faça uma lista de perguntas quando for assistí-lo porque este blog já antecipou algumas que você leitor verá a seguir.
FALADAS e ESCRITAS: - O senhor com este título faz os casais pressuporem casar e separar?
Luis César Ebraico: - Vou explicitar melhor qual é o foco da palestra em questão. Primeiro, pretendo abordar
essencialmente “parcerias de tipo amoroso”, não, por exemplo, de nível comercial, esportivo, político etc., onde, também existem “parcerias”; segundo, no que diz respeito às parcerias amorosas, não quero restringir essa abordagem ao casamento oficial e heterossexual. Namoros, noivados, casamentos, relações homossexuais ou heterossexuais, a dois ou a três, todas essas parcerias estão sujeitas a separações – veladas ou explícitas, parciais ou radicais – e, em todas essas “parcerias amorosas”, qualquer de separação produz, por si só, algum sofrimento, que, submetido a um mal manejo, se torna desnecessariamente maior.
FeE: - O que mais se vê hoje em dia? Mais pessoas casando ou separando?
LCEbraico: - Imagino que minha resposta anterior tenha deixado claro que, ao abordar separação de casais, não me estou referindo apenas a casamento, mas, sim, a “acasalamento”, onde, naturalmente, se inclui esse último. Sob esse ponto de vista, o mais relevante é o fato de que, o mais das vezes, o ser humano que se “desacasala”, de uma forma ou de outra, se acasala outra vez, talvez dentro de um “formato” que lhe serve mais. Mas é óbvio que, principalmente a partir da segunda metade do século XX, esses ciclos de “acasalamento-desacasalamento” se tornaram muito mais freqüentes.
FeE: - Sr. Luis qual (ou quais) os fatores para um casamento sólido?
LCEbraico: - O conceito de “sólido” é bem ambíguo. Vou entender como sinônimo de “duradouro”, mas, se o adjetivo “sólido” é ambíguo, o de “duradouro”, aplicado ao casamento, abarca possibilidades demais: com efeito, é evidente que, numa cultura como a islâmica, a duração de um casamento se estriba em fatores bem diversos daqueles em que se funda a duração de um casamento numa cultura de tipo anglo-saxão. É necessário, portanto, que se explicite a que “tipo de duração” nos estamos referindo para responder de maneira adequada a essa pergunta. De qualquer forma, se voltamos à idéia geral de “acasalamento” e se entendemos essa duração como sendo satisfatória para ambos, o que dizem as estatísticas –. e minha experiência clínica concorda com elas – é que dependem essencialmente de dois fatores: primeiro, atração romântico-sexual e, segundo, capacidade de comunicação.
FeE: - Pelo título e conteúdo, o seu livro sugere que os casais estão com um discurso desgastado ou muito velho. É necessário um novo diálogo entre os dois?
L.C.Ebraico: Aqui a resposta é um enfático “sim”. Os instrumentos devem adequar-se aos propósitos da tarefa. O que eu entendo como “acasamento satisfatório” implica uma ligação entre pessoas com direitos iguais, inclusive o de serem diferentes. Somente a partir do século XIX – e mesmo assim apenas no Ocidente – se começou a construir uma conversa compatível com esse tipo de ligação, mas essa construção ainda está em curso e meu livro pretende ser uma contribuição para a aceleração desse processo.
FeE: - A mulher hoje nos Estados Unidos ocupa mais os postos de trabalho que os homens. Aqui no Brasil, muitas estão indo à luta. O senhor entende que a independência financeira da mulher impede a "nova conversa"?
LCEbraico: Não impede, pelo contrário, exige.
FeE: - O machismo seria um dos entraves para um melhor diálogo entre casais?
LCEbraico: Existem a macro e a micropolítica. O “machismo”, na micropolítca, é o equivalente do que, na macro, são as ditaduras. E ditador “dita”, não dialoga; tem “súditos”, ou seja, “sub-ditos”, não tem “inter-locutores”.
FeE - O senhor afirmaria que separar-se não causa trauma psicológico nos filhos? Se causam, como minorá-los?
L.C.Ebraico: O que afirmo cansativa e repetidamente em meu livro é que “frustrações” são parte essencial e inevitável de uma vida sã, “traumas”, não. E saber empregar a Nova Conversa é a maneira de impedir que um processo de separação, em vez de frustrante, se torne traumático.

