segunda-feira, novembro 28, 2005

 

Responsabilidade Social

Comentários por Cleber Carneiro Motta que é administrador e especialista em responsabilidade social

CISÃO, ESPERA-SE A FUSÃO

Sem dúvida, Responsabilidade Social está, intrinsecamente, ligada a toda e qualquer relação econômica e seu paradoxismo nas diversas etapas do processo mundial, onde a militância do Homem se fez notar na construção da humanidade desde os primórdios e que, ao longo do tempo histórico, procurou aperfeiçoar o movimento progressivo em determinada direção, de forma concatenada e harmônica.
Sendo assim, volta-se ao tema com comentários da relação Capital x Trabalho, tendo como base o tempo presente, aspectos de 10 a 15 anos passados com mudanças da situação econômica do final do século 20, e perspectivas de 10 a 15 anos futuros, como ação social evolutiva do começo do século 21.
Percebe-se que, na primeira etapa, a cisão, no sentido de exclusão, do “estar do lado fora”, mostrou tendências de rompimento da sociedade com tendências de grandes transformações, de mudanças no cenário político-econômico, do rompimento do radicalismo para um sentido mais democrático, ao passo que a segunda etapa, sintomaticamente, a fusão, tomada como sentido de inclusão, do “estar do lado de dentro”, da participação, parece mostrar o verdadeiro e transparente desequilíbrio social que deve ser tratado de maneira equânime.
Os primeiros sinais atuais de cisão começaram a se acentuar no processo de avanço da tecnologia e da globalização, na internacionalização descontrolada dos mercados, à frente o setor financeiro e conglomerados industriais desejosos de altos indicadores de lucro, circunscritos pela idéia do neoliberalismo, provocando, com isso, a redução do Estado na economia e, em decorrência, processos de privatização, afastamento de impeditivos para investidores estrangeiros, elevadas taxas de desemprego e menos atenção às questões sociais.
Como resultado da maior capitalização financeira, a contrapartida ficou evidenciada quando milhões de trabalhadores perderam seus empregos, ou aos que ainda permaneceram empregados com forte redução de salários, em face de relação direta com novos processos tecnológicos de produção, fez com que alguns países em desenvolvimento da América Latina tornaram-se vulneráveis diante do crescimento da importação ser superior ao da exportação, a partir da última década dos anos 90, desmistificando, assim, a visão do bem-estar social. Tudo isso demonstrou que, diante de uma livre economia de mercado mundial, significou a imposição do mais forte sobre o mais fraco, com mais danos do que benefícios, mesmo que todas medidas pretéritas vinham sendo tomadas por organismos internacionais para o restabalecimento da união e do equilíbrio entre nações.
Porém, vale lembrar - o estrago foi feito.
Ainda é conveniente mencionar que a disputa e a concorrência entre nações esteve fora do sentido e do significado ético porque o que, de fato, aconteceu foi extrapolar a racionalidade, o que pôde causar a impressão de se estar assistindo a uma verdadeira contenda na arena, onde quase todos lutavam, como casos mostrados pelos dados estatísticos dos "Tigres Asiáticos", por terem alcançado níveis elevados de recuperação econômica e, por isso, reconhecidos por terem encontrado a saída da pobreza e do subdesenvolvimento, adotando como estratégia um processo cuidadoso e ponderado de desenvolvimento sob controle do Estado.
O lado oculto da moeda, sob a ótica da Responsabilidade Social, o exemplo negativo da Nike, aonde os tênis caros na Europa e nos EUA chegaram a custar 150 dólares, são costurados e estampados por 120 mil trabalhadores de ambos os sexos junto a pequenas firmas contratadas na Indonésia, por uma diária inferior de 3 dólares, verdadeiro salário de fome, estabelecido por lei, vale para mais da metade da população de 80 milhões de pessoas (International Herald Tribune, 29/07/1996). Essa atitude de baixos salários foi defendida em vista da competição entre países da região para receber novas fábricas.
Com a virada para o próximo século, os primeiros sinais da responsabilidade social começam a ser percebidos, tanto nas organizações, independendo do porte e da configuração, quanto do sentido de existência do próprio homem.
Depreende-se que num cenário de evolução, conforme texto anterior, há compromisso de países membros da ONU no compromisso de se chegar até 2015 com a redução e a superação da extrema pobreza da humanidade antes deste prazo, diante do agravamento da injustiça e da iniqüidade social existente. Diversos sinais e ações são, cada vez mais, evidentes com a participação de camadas sociais voltadas em dar melhor equilíbrio e harmonia na relação entre as múltiplas sociedades mundiais.
No caso do Brasil, diversos exemplos de organizações e de entidades são cada vez mais atuantes em dar entendimento à Responsabilidade Social como algo construtivo e ser respeitado na sociedade nacional para configurar um relacionamento mais, humanamente, integrado ao bem comum. Tanto é assim que, entre assuntos e temas, vêm sendo contestada o envolvimento de “empresas produtoras de produtos anti-éticos, como tabaco, álcool e armas, participarem do portifólio de apuração do ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial” (jornal Monitor Mercantil – Paulo-Márcio de Mello, 24/11/05).

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