segunda-feira, novembro 28, 2005

 

Soco de audiência

Neste último domingo as imagens do programa Pânico na TV foram ao ar. As tão esperadas. O programa fez muito suspense e não seria diferente. Tudo, evidentemente, por ela, a audiência. Televisão não se faz sem medir o quanto se tem de telespectadores. Não há outra fórmula.

Mas o soco do Netinho no Repórter Vesgo mostra uma coisa muito clara. No horário e na tv que está, a Rede TV, não deveria ser surpresa. É o perfil da emissora. Não haveria condições de colocar o premiadíssimo programa Castelo Ra-Tim-Bum no mesmo horário. Nem desenhos. Violência por violência, logo após ao Pânico vem programa de futebol que volta e meia, para não dizer todo domingo, há um episódio de violência. Coisa de nossos tempos modernos.

Netinho não dialogou muito. Bateu. Sim, foi violento. Repórter Vesgo e Silvio Santos fazem, a título de comédia, uma provocação que sempre pode significar um risco. Vimos no próprio programa a retrospectiva dos desafetos que ficaram irritados com a dupla. Bolsada, sopapo, críticas, enfim, incomodam. Só que é essa a função, já elogiada por vários humoristas, que eles incorporam. Provocar o entrevistado ou aqueles anônimos que estão a sua volta dando apelidos é a matéria-prima da audiência deles. O que não quer dizer que eles sejam racistas e nem demonstraram isso no programa. Houve brincadeira com alguém que está em evidência e, o mesmo, não suportou. Simples assim.

Mais de 500 mil pessoas no site Querido Leitor da roteirista e redatora do Pânico, Rosana Hermman, foi realmente a confirmação da máxima que diz que "jornal não pode ficar sem tragédia". É verdade. Não se trata de jornal e sim de internet. Mas foto e tv também não ficam longe. Mil palavras não contariam tudo. As imagens falaram por si.

Mesmo querendo paz, o Pânico mexeu com muitos de seus críticos. Devem e podem fazer um programa menos contundente apesar de não acreditar que mudem. Aí está uma maneira de ter audiência, de tirar proveito de uma situação, de fazer com que hajam mais e mais pessoas assistindo. O poder de influenciar o público aumenta e se for bem aproveitado poderão fazer boas audiências. Público inteligente eles têm para conquistar. Criatividade eles têm e o horário na TV aberta é pobre em criatividade. Recursos eles têm, não precisam de muito e mesmo assim provaram nessa trajetória que muito recurso às vezes até tira a graça.

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