sexta-feira, dezembro 02, 2005

 

Água e soberania

Para muitos, internet é agilidade e por isso os textos são curtos. A postagem abaixo longa se dá não só pela relevância da análise, mas também, pelo assunto que merece atenção e clareamento das visões antes que seja tarde demais. Segue assunto referente à Água que já foi assunto neste blog por ocasião da visita de Bush ao Brasil.

Por Ronaldo Freitas de Souza
presidente do Conselho Deliberativo da Câmara de Commercio do Brasil
No seu blog, com o título ÁGUA, você aborda alguns temas, como: negociação da ALCA, água, coerção, soberania nacional, forças armadas, educação sócio-ambiental, postura nacional, vontade política e greve de fome.
Pelo que tenho lido e estudado, em minha visão, o Paraguai parceiro do Brasil, da Argentina e do Uruguai está desiludido com o Mercado Comum do Sul denominado de MERCOSUL. Há um crescente desencanto dos paraguaios com as fracas relações e com a falta de solidariedade de seus parceiros maiores, Brasil e Argentina, perante as suas debilidades econômicas, e que não dão à mínima para o que lá está acontecendo.
Como em toda nação a sua sociedade maior e mais esclarecida começou um movimento e sua elite através de importantes setores estão apostando numa relação mais próxima com o governo americano, não só, com a possibilidade de incremento ao comércio com obtenção de facilidades aduaneiras para a exportação de carne bovina e açúcar, como para uma maior e efetiva proteção.
Ou seja, faltando maior solidariedade e espírito de cooperação falta fluidez no comércio internacional. Resumindo, troca de proteção por comércio.
Nas palestras em que sou convidado para apresentar a nossa instituição, sempre inicio com uma frase de PLATÃO que diz: "... o motivo primordial para uma guerra é o excesso de população; o segundo é o comércio internacional, com as inevitáveis disputas que o interrompem". "...Paz é apenas um nome".
O que eu quero mostrar com isto? Que a nossa instituição é um instrumento brasileiro de guerra. Que a nossa instituição deve estar preparada com muito estudo e informação, além das ferramentas tecnológicas, as mais modernas possíveis para enfrentar de igual para igual as suas congêneres em qualquer parte do mundo, pois, o bom comércio é somente conseqüência da boa informação. E acrescentando, o Brasil está numa guerra eterna. Não existem países irmãos, co-irmãos, amigos, parceiros. etc. Existem sim, interesses pessoais, interesses políticos, interesses de ESTADO.
Uma guerra silenciosa onde seus atores principais dizem quem participa e quem não participa do mercado, que dizem quem pode ter isto ou aquilo e quem não pode! Um MERCOSUL com um PIB de aproximadamente US$796 bilhões e também outros blocos econômicos com diversos PIBs não podem ter a pretensão de disputar de igual para igual um mercado dominado pelo triângulo da supremacia econômica dos blocos mundiais, que são os EUA com seus quase US$11 trilhões (participa do NAFTA, da ALCA e da APEC), a UNIÃO EUROPÉIA com seus US$8,2 trilhões e a APEC com US$18 trilhões. Vamos falar sério!
Você prestou atenção no que a CHINA recentemente fez com o Brasil na questão da soja?
Foi uma vergonha ver o nosso competente Ministro Furlan tendo que abaixar a cabeça perante a postura da China em função da nossa errada política externa. Gerou desgaste internacional e de relações diplomáticas. E a postura do Brasil? Qual foi?
Agora estão inventando a ÁFRICA. Outro lêdo engano que poderemos analisar mais à frente.
Compare a frase de PLATÃO com a parceria do governo do Paraguai com os EUA e os últimos acontecimentos em relação a nossa carne bovina. O Brasil de quinto lugar passou a ser, a duras penas, o líder mundial em exportação de carne bovina.
"E não se preparou para exercer a função de líder", que vai desde uma postura governamental, que não existiu e jamais existirá em governos deste tipo, como em medidas preventivas, para casos do tipo da doença bovina.
Por curiosidade houve um questionamento da possibilidade do gado paraguaio ter atravessado a fronteira para pastagens no Brasil trazendo a doença. Também existiram dúvidas se a doença foi transmitida efetivamente por gado paraguaio ou se foi plantada estrategicamente para desbancar o Brasil da condição em
que se encontrava como líder de mercado. Coincidência ou não a verdade é que pela incompetência e descaso do governo brasileiro na liberação dos recursos para a sua vacinação foi dada à brecha para o que aconteceu - a isto denominamos de INFORMAÇÃO, ou DESINFORMAÇÃO!.
Oportunistas e incompetentes não conseguem firmar-se por muito tempo. No nosso caso, não somos nem uma coisa e nem outra. O nosso caso é bem pior.
Não temos educação, não temos cultura política, não somos politizados, portanto, elegemos qualquer um que além de seus interesses espúrios e particulares, não tem vontade política para temas brasileiros, para o qual foi eleito. Não tem postura governamental, são vendilhões de nossa própria
pátria.
Quer um exemplo? A demarcação de terras brasileiras "ditas" indígenas. Um absurdo! Os governantes brasileiros atendem aos interesses nacionais ou as exigências internacionais? A demarcação de uma área brasileira com extensão igual ou superior a área da Bélgica para aproximadamente três mil índios "ciganos" (ora estão em território venezuelano ora estão no Brasil) de uma tribo intitulada por Ongs internacionais como "nação Yanomami". Ora, isto é uma brecha enorme para a quebra de nossa soberania e as pessoas vêm dizer que os EUA estão invadindo a Amazônia? Eu acho que não. O nosso governo é que está dando ela de presente para eles e para qualquer um outro. Lá existem franceses, holandeses, canadenses,ingleses, alemães,etc..
Você sabe o que eu faria se fosse um governante do nosso país? Há tempos atrás eu respondi a um questionamento parecido com o seu, feito por um conhecido petista roxo (que fugiu do debate!!!) onde ele escrevia um e-mail com o título "ÁTILA, PERIGO INTERNO E EXTERNO", fazendo um breve comentário "a incursão
expansionista do nosso 'irmão do norte' é uma temeridade" em apoio ao artigo do jornalista Mauro Santayana do jornal eletrônico CARTA MAIOR sobre o episódio da presença dos marines norte-americanos no Paraguai. E dentre tantas as coisas que questionei uma delas eu perguntava: "... Qual a relação com o governo Lulla da Silva e influência das ONGS internacionais sobre a política brasileira em relação a nossa AMAZÔNIA e legalização e demarcação de terras ditas indígenas?"
E em outra perguntava: "... Índios brasileiros ou nação indígena? Por que não arrancar este "calcanhar de Aquiles" de nossa constituição e acabar com o interesse internacional colocando a nossa Amazônia brasileira como "área de controle militar" dividida em sub-regiões sob comandos diferenciados? Não tenho dúvidas, sob comando militar, os "interesses internacionais" esfriariam imediatamente, os madeireiros sumiriam, os narcotraficantes
escolheriam outra estratégia, todas as ONGS da região seriam investigadas e auditadas para serem ressarcidas de seus "prejuízos" e as terras brasileiras que elas compraram de posseiros e candangos a preços módicos seriam devolvidas ao Brasil e assim por diante. Lembrando que, "cão de guarda que mija nos quatro cantos não tem terreno invadido". Isso eu faria se tivesse o poder de um governante brasileiro.
E, assim, uma a uma vão ser demarcadas diversas terras brasileiras, todas sobrepostas sobre imensas jazidas minerais, além da ainda pouco conhecida riqueza da biodiversidade amazônica em prol de "nações indígenas" defendidas e comandadas pelas Ongs que lá atuam beneficiando os interesses internacionais e a quebra de nossa soberania!
Não é este o tema atual? A nossa soberania nacional sendo quebrada por uma SOBERANIA RELATIVA!!!! O nosso inimigo é externo? Ou INTERNO?
Quem são os culpados? Erro de quem? De nós mesmos. Elegemos um governo que não tinha competência para exercer a função. Tinha obrigação de estar atento a todas as ameaças de mercado, como
numa empresa que quer ganhar mercado, tem obrigatoriamente que conhecer os óbices, os concorrentes e as possíveis alternativas que os opositores têm para te desmoralizar, te destruir, te desbancar, te tirar do mercado - como diz um amigo especialista - falta PLANEJAMENTO!
E não entramos no assunto CORRPUÇÃO!
O Brasil é grande, o Brasil é fantástico como país, com um povo maravilhoso, mas, que não tem patriotismo, tem vergonha de ter o que tem, tem vergonha de cantar o hino nacional, tem vergonha de erguer a bandeira brasileira, tem vergonha de ter uma política brasileira própria sem modismos copiados como soluções políticas ultrapassadas que não deram certo em nenhum país do planeta.
Povo que tem vergonha de adorar seus heróis do passado e reverencia e idolatra déspotas, tiranos e ditadores apoiado por esta nossa grande mídia parcial e omissa quando questionada, pseudo-intelectuais e artistas que se dizem brasileiros. Instrumentos indutores para um povo imbecilizado. É uma pena, mas, estamos regredindo no tempo!
Concluindo, não tenho dúvidas, a visita do presidente norte-americano George W. Bush aqui no Brasil e seu interesse da inclusão brasileira na ALCA tem vários interesses comerciais. Faz parte do jogo! É evidente que a água é estratégico, assim como, o biodiesel que é outro assunto altamente estratégico para o Brasil e para a humanidade mas...
Não acredito em ameaça militar, mas, é um fato, quando você diz que contra a força bélica dos países com uma política de dominação global, daqui a alguns anos, ficará muito difícil de competir e controlar. É verdade, mas, você já viu em que situação está as nossas forças armadas? Isto é um assunto imenso e que merece outras conversas, que na verdade influencia, para melhor ou pior, diretamente todo o assunto acima. A vulnerabilidade de nossas forças
armadas é um incentivo a qualquer bicho-papão lá de fora!
O problema é mais econômico e político. A insatisfação paraguaia está perigando a integração regional. Ninguém questionou a igual parceria do Equador com os EUA, do Chile entrando na APEC com o apoio dos EUA, da Bolívia e da própria Venezuela que são meros observadores do MERCOSUL, não quiseram entrar, enfim, cabe ao Brasil posicionar-se melhor com relação a seus parceiros se é que tem interesse em fazer do MERCOSUL o trampolim para uma maior e efetiva integração regional e de um degrau acima para melhores negociações!

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