quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Responsabilidade Social
(*)Por Cleber Motta
RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES
Em tempos idos, o comportamento empresarial brasileiro parecia não se ater a um envolvimento ou preocupação com tudo aquilo que estava próximo a sua localização, particularmente no que tange ao meio ambiente, às comunidades e aos públicos próximos ao seu entorno, demonstrando, assim, uma realidade sem qualquer percepção da proximidade. Hoje, no entanto, é sentido que organizações vem formulando ou mantendo políticas de relacionamento mais estreita devido às influências individual e coletiva de cidadãos que estão, de modo mais incisivo, participando e se fazendo ouvir, o que acarreta ações eticamente mais efetivas.
Vale mencionar aspectos que envolveram uma empresa brasileira exportadora de minério de ferro, onde um engenheiro foi despachado para uma pequena cidade no oeste da Índia. Ali fica a mina de um dos fornecedores de bentonita, uma matéria-prima usada no processo de fabricação do aço. Sua missão era preparar o embarque de 11.000 toneladas do insumo comprado pela empresa. Sucede que o negócio gorou já na primeira visita do brasileiro à mina. Ele teve uma visão assustadora do local: mineiros manuseavam ácidos perigosos sem nenhuma proteção. A pele de seus antebraços estava despigmentada, como se acometidos de vitiligo. "As condições de trabalho eram inaceitáveis", disse o representante.
Com isso, vê-se claramente, que o fornecedor não tinha nenhum senso de seus deveres com funcionários, sem práticas éticas que, nos últimos tempos, vêm ganhando a força um movimento no mundo dos negócios. "Uma empresa responsável cria valor para os seus acionistas ao demonstrar respeito pelos princípios éticos, pelas pessoas, pelas comunidades e pelo ambiente", diz Robert Dunn, presidente da Business for Social Responsability, conhecida pela sigla BSR, que reúne 1.400 empresas americanas que assumem ter compromissos sociais, tais como a Ford, Johnson & Johnson e AT&T que, juntas, somam faturamento anual acima de 1 trilhão de dólares.
Por outro lado, tem-se conta que no Brasil há expressivas entidades que estão diretamente voltadas a regulação de condutas e de procedimentos arraigados à Responsabilidade Social. O Instituto Ethos de Responsabilidade Social, entidade espelho da BSR, fundado em 1998, reúne 214 empresas brasileiras, que empregam 470.000 funcionários, cujo faturamento anual equivale a 14% do PIB brasileiro.
Outro exemplo é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que validou e institucionalizou a NBR 16001:2004 Responsabilidade Social Sistema de Gestão, em dezembro de 2004, como forma de contribuir para que organizações venham a implementar melhor seu relacionamento interno como externo.
Há duas décadas atrás, no Brasil, era quase impossível imaginar que, algum dia, uma empresa pudesse ser avaliada pelo mercado, a partir de seu desempenho ético e do relacionamento que ela tem com a comunidade e demais públicos de interesse (stakeholders). No entanto, o país tem percebido, cada vez mais, uma força mobilizadora tomando conta da consciência dos indivíduos e sensibilizando as mais variadas instituições, cuja vantagem decorrente do comportamento ético diz
respeito à imagem da organização.
Cleber Carneiro Motta é administrador e especialista em responsabilidade social. Colaborador deste blog. E-mail: clebermotta@click21.com.br
RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES
Em tempos idos, o comportamento empresarial brasileiro parecia não se ater a um envolvimento ou preocupação com tudo aquilo que estava próximo a sua localização, particularmente no que tange ao meio ambiente, às comunidades e aos públicos próximos ao seu entorno, demonstrando, assim, uma realidade sem qualquer percepção da proximidade. Hoje, no entanto, é sentido que organizações vem formulando ou mantendo políticas de relacionamento mais estreita devido às influências individual e coletiva de cidadãos que estão, de modo mais incisivo, participando e se fazendo ouvir, o que acarreta ações eticamente mais efetivas.
Vale mencionar aspectos que envolveram uma empresa brasileira exportadora de minério de ferro, onde um engenheiro foi despachado para uma pequena cidade no oeste da Índia. Ali fica a mina de um dos fornecedores de bentonita, uma matéria-prima usada no processo de fabricação do aço. Sua missão era preparar o embarque de 11.000 toneladas do insumo comprado pela empresa. Sucede que o negócio gorou já na primeira visita do brasileiro à mina. Ele teve uma visão assustadora do local: mineiros manuseavam ácidos perigosos sem nenhuma proteção. A pele de seus antebraços estava despigmentada, como se acometidos de vitiligo. "As condições de trabalho eram inaceitáveis", disse o representante.
Com isso, vê-se claramente, que o fornecedor não tinha nenhum senso de seus deveres com funcionários, sem práticas éticas que, nos últimos tempos, vêm ganhando a força um movimento no mundo dos negócios. "Uma empresa responsável cria valor para os seus acionistas ao demonstrar respeito pelos princípios éticos, pelas pessoas, pelas comunidades e pelo ambiente", diz Robert Dunn, presidente da Business for Social Responsability, conhecida pela sigla BSR, que reúne 1.400 empresas americanas que assumem ter compromissos sociais, tais como a Ford, Johnson & Johnson e AT&T que, juntas, somam faturamento anual acima de 1 trilhão de dólares.
Por outro lado, tem-se conta que no Brasil há expressivas entidades que estão diretamente voltadas a regulação de condutas e de procedimentos arraigados à Responsabilidade Social. O Instituto Ethos de Responsabilidade Social, entidade espelho da BSR, fundado em 1998, reúne 214 empresas brasileiras, que empregam 470.000 funcionários, cujo faturamento anual equivale a 14% do PIB brasileiro.
Outro exemplo é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que validou e institucionalizou a NBR 16001:2004 Responsabilidade Social Sistema de Gestão, em dezembro de 2004, como forma de contribuir para que organizações venham a implementar melhor seu relacionamento interno como externo.
Há duas décadas atrás, no Brasil, era quase impossível imaginar que, algum dia, uma empresa pudesse ser avaliada pelo mercado, a partir de seu desempenho ético e do relacionamento que ela tem com a comunidade e demais públicos de interesse (stakeholders). No entanto, o país tem percebido, cada vez mais, uma força mobilizadora tomando conta da consciência dos indivíduos e sensibilizando as mais variadas instituições, cuja vantagem decorrente do comportamento ético diz
respeito à imagem da organização.
Cleber Carneiro Motta é administrador e especialista em responsabilidade social. Colaborador deste blog. E-mail: clebermotta@click21.com.br


